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segunda-feira, 26 de maio de 2014

Macumbia - Chuta Que É Macumbia [2014]


Macumbia é mais uma peça chave da nova cena que se configura em João Pessoa, da qual falei no post anterior. O próprio nome da banda já denuncia um lado mais obscuro do que uma simples banda de música dançante latino-americana: há uma inclinação forte para a estética do dub pedrada, aquela estética que prende a música no chão e prende o ouvinte à música, quer queira quer não. Há também um humor negro muito sutil: o grande hit dançante da banda é André (vídeo abaixo), uma balada improvável sobre uma gravidez adolescente indesejada e seu consequente aborto - o tema da música passa despercebido debaixo do tom alegre da melodia e das guitarrinhas estaladas quase à paraense. A banda é uma excelente intérprete do melhor que o Caribe e arredores já produziu musicalmente no último século: cumbia, guitarrada, dub, ragga e até uma leve insinuação de música de surfista dos anos 90. Muito fácil de se envolver com a música, muito difícil de se desvencilhar - nesse caso o único conselho que posso dar é o da própria banda: chuta!



Tracklist

01 - Baila Mi Cumbia
02 - Milonga
03 - André
04 - Baia de La Traición
05 - Maria Tereza
06 - Never Will Be Heard
07 - Cidadela
08 - My Disorder

Clique na capa do álbum pra baixar.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Los Cabras Gigantes - Lado A [2014]



Los Cabras Gigantes aparece em João Pessoa no meio de uma efervescência. Uma confluência de astros, inconsciente coletivo, demanda de público? O fato é que na nossa pequena cidade existia o que alguns frequentadores dos antros mais escuros da noite pessoense chamam de "vácuo da sarrabulhagem". Explico: existia uma vontade muito grande no meio alternativo de rala-buxo, putaria dançante mesmo, uma fatia de mercado que estava historicamente monopolizada pelos esquemas semi-milionários do tão polêmico forró-de-plástico institucionalizado (seja lá qual for o significado dessa expressão hoje em dia), Aviões do Forró, Garota Safada e similares. Quem não compactua esteticamente, ideologicamente ou socialmente com essa galera, acabava recorrendo à discotecagem - já que felizmente temos uma boa leva de DJs aqui. Recife já preencheu o vácuo da sua sarrabulhagem muito bem e há muito tempo com uma leva de artistas que não ofendem o bom gosto, de Catarina Dee Jah à unanimidade de Academia da Berlinda. Agora o movimento começa - bandas novas e bandas que já estão na estrada há algum tempo estão fechando o cerco, e a única coisa que podemos fazer a respeito é usar camisinha. Em breve no blog que vos fala, postaremos mais e mais dessas bandas.

Los Cabras Gigantes talvez seja a mais nova dessa leva, uma big band improvável que parece destinada a compor o hit que vai parar o karoke da lagoa daqui a uns vinte anos. O perigo da banda é também sua qualidade: eles não têm limites. Música de putaria e coração partido pra qualquer estação, um frevinho pro carnaval, um forrozinho pro São João e uma música de corno pro dia dos namorados - é só escolher.






Tracklist:


01 - Swing da Philipéia
02 - Lugar Sem Direção
03 - La Cabrita Portunhola
04 - Ladeiras da Parahyba
05 - Dreher

Clique na capa do álbum pra baixar

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Tudo de Som - Retrospectiva da Música Paraibana em 2013


Lucas Dourado, Haley Guimarães e Helinho Medeiros (foto de Rafael Passos)

Eu queria que a minha retrospectiva 2013 falasse de uma força transformadora. Isso porque 2013 foi um ano de transformações. E estas ocorrem em níveis múltiplos. E porque ocorrem, de maneira geral, através destes que consumo, achei por bem dividi-los. Elegi discos paraibanos lançados este ano aqui na Parahyba para contar destes 365 dias e seis horas. E poderia falar de muitos que aconteceram por aqui neste período, porque som não faltou, mas busquei uma concisão que me garantisse alguns leitores. Falarei, portanto, de três. Para além de serem da terrinha, eles têm um tanto mais em comum: representam uma nova fase no fazer musical de cá e oferecem não um punhado de canções, mas uma experiência sonora e literária - justamente o que busco oferecer enquanto autor e beber enquanto consumidor.




Tracklist:

01 - Coco de Jumenta
02 - Meninos
03 - Fumo do Parrá
04 - Casa da Pólvora
05 - Amassar a Lataria

E, já que é verão (finalmente!), eu começo com o ‘Amassar a Lataria’. O Sonora SambaGroove não é novidade nos palcos nossos (quem lembra do CINEPORT em 2011 ou do Festival de Areia de 2012?) e, ainda no primeiro semestre de dois mil e treze, brindou-nos com este EP que soa como cerveja gelada para os meus ouvidos. No ano passado essa turma pôs no mundo o EP ‘Gentileza’, o primeiro do que pode vir a ser uma série de produtos que se debruçam sobre a música autoral paraibana, batizado após a canção homônima de Arthur Pessoa. ‘Gentileza’ foi um brinde, responsável por trazer a tona a faceta compositora do vocalista da Cabruêra, dar-nos também a ‘Cigana’ nervosa do preciso e precioso baterista Nildo Gonzalez e ainda surpreender com uma inédita do veterano Adeildo Vieira. ‘Amassar a lataria’ não fica pra trás nesta empreitada de salvaguardar nosso vasto e denso repertório: Parrá vem brilhar na voz de Chico Limeira e Totonho não deixa ninguém indiferente na voz de Débora Malacar. O EP ainda vai mais longe e bebe nos discos do Tocaia da Paraíba e do Assaltarte – deste último saindo a minha faixa preferida, ‘Meninos’, com umas congas insuspeitadas do hábil Macaxeira Acioly. E por falar em congas, antes fosse este EP bem-sucedido apenas como resultado de uma pesquisa profundamente afetiva; é também um deleite sonoro. Onde tocar Fabiano Furmiga pode olhar pros lados que estarei. Daniel Vincent, também paraibano, é quem assina a capa de cores vivas e diretas. Apesar do hiato de alguns meses após o impecável show de lançamento do EP, a Sonora voltou com tudo na primeira edição de shows do MUSIC FROM PARAHYBA, coletânea organizada pela Divisão de Música da FUNESC visando festivais internacionais. Olhos e ouvidos abertos pra essa turma, que eles não brincam em serviço.




Tracklist:

01 - A Saga
02 - Tambaú
03 - O Santo da Grande Luz
04 - Barbante Prateado
05 - Motor Misterioso
06 - Temparada
07 - Idas e Vindas
08 - Saravá e Quengo
09 - O Cheiro e a Feira

Eu também não poderia ignorar as douradas engrenagens do ‘Motor Misterioso’. Em sua estreia, Lucas Dourado oferece aos ouvidos de quem escuta uma curiosa experiência lírica. Saltam aos meus olhos uma qualidade deliciosamente prosaica nas letras de cada canção e, ao mesmo tempo, rimas inusitadas e terrivelmente coerentes revelam no compositor um leitor e um re-leitor atentos. E coerente é também a articulação de um discurso que atravessa tudo que se diz nas canções. Os versos, assinados tanto pelo próprio Lucas quanto por Polly Barros, nos propõem uma perspectiva nitidamente inquieta do que nos povoa – côncavo/convexo, povo das estrelas, almas em barbantes, chão rachado, menino, feira, pé, bike e avião. Sua poesia, se não explode, está prestes a. Há também um belo poema de Renálide Carvalho, ‘Idas e Vindas’, de onde brotou em Lucas uma melodia inacreditavelmente natural. As harmonias encontram nos dedos de Helinho Medeiros e Haley Arthur uma parceria sólida; ora arrepiam, ora surpreendem. O disco, inclusive, conta com uma turma da pesada que fez nascer esse disco lá na Mutuca do Burro Morto, dos quais destaco Ruy José, Big Daniel, Uirá Garcia e Chico Limeira, pra não mencionar o violão do próprio Lucas. Mas o que me deixa sem sono mesmo no som desse baiano-muito-nosso é a melodia. Num papo que tivemos, ele, Toninho Borbo e eu, o Golden falou-nos de um raciocínio alinhado com o jazz que ele persegue na construção das frases melódicas, identificável sobretudo no ‘Barbante prateado’. Como que para ilustrar seu pensamento, cantou-nos a música toda a capela. Sim, porque Lucas é também um grande cantor, de voz clara como quem sabe o que quer. A capa é uma bela foto de Rafael Passos, a qual se soma a arte generosa de Sílvio Sá. Parte do repertório do Motor estreou em Abril deste ano com versões minimalistas d’A Troça Harmônica, fato que é motivo de orgulho e satisfação pra minha pessoa, e 2014 deve levar o restante das canções para o palco (uhuuu!) com parte do time que acompanhou o Golden nos períodos de gravação. Três palavras definem: mal posso esperar!




Tracklist:

01 - Elbow Pain
02 - La Edad del Futuro
03 - Birds Singing Lies
04 - Lucid Dream
05 - Sophie

Naturalmente, eu não poderia deixar de mencionar o fenômeno pop que é o duo Glue Trip. Quando do lançamento online da primeira faixa do que viria a ser o ‘Just Trippin’, seu EP de estreia, chamou-me a atenção a fina ironia dos títulos. Fazer do pé-da-letra uma ferramenta poética requer apropriação e domínio da linguagem, e fazê-lo num idioma estrangeiro é, no mínimo, ousado – as letras, em língua inglesa, só são possíveis porque se conjugam, a um tempo, os verbos rigor e despojamento. A viagem de cola começa com uma finíssima dor-de-cotovelo e, desde ela, fica muito latente uma força que atravessa o repertório inteiro. Para explicar o disco, Ernani Sá faz uma analogia com a observação de Abraão, que diz que, nos tempos de hoje, um publicitário tem apenas cinco segundos (justamente aqueles antes de pularmos o plim-plim pra ver qualquer vídeo no Youtube) pra prender a atenção de quem quer que seja. E seria justamente esta a tal força de ‘Just Trippin’: uma qualidade poderosíssima de refrão nas estruturas propostas nas melodias e nas harmonias. Não foi à-toa que a banda, antes mesmo de dar a nós conterrâneos o privilégio de vê-los em ação, foi estrear lá no SESC Pompéia; sua música cruza as distâncias como um raio, e caiu sobre mim de maneira arrasadora. Após vê-los no Indie Sessions, lá na Vila do Porto, me vi completamente contaminado. Corri para a internet e escrevi pra Lucas e Phil e não sosseguei até que ‘Elbow Pain’ virasse o toque do meu celular. E quantas vezes já não me vi cantarolando as melodias todas enquanto caminho nas ruas dos Bancários? Eu devo ainda destacar mais duas faixas: ‘La edad del futuro’, na qual Sergio Aires põe os ouvintes pra flutuar com sua flauta. Esta faixa, talvez pelo magnífico loop da primeira parte da melodia, é com certeza a representante mais forte da qualidade de refrão à qual me referia. E destaco ainda ‘Birds singing lies’ pela ousadia no uso dos samples de cantos de pássaros – a música popular se utilizando dos ruídos de maneira muito mais eficaz que a música erudita, vejam só. E tenho certeza que nenhum dos falsetes, reverbs, delays e elementos afins seriam possíveis ou prováveis sem a magia de Pepeu Gúzman, da Mardito Discos. A bela capa do EP, que foi lançado em etapas nas interwebs, também é assinada por Daniel Vincent. Glue Trip veio mostrar que não é preciso ranço ou receio ao se referir ao pop enquanto linguagem, e inaugura também uma bem-sucedida e brilhante estratégia de divulgação do seu trabalho. E que, às vezes, bastam apenas três ou quatro acordes.

É. Eu não sabia se conseguiria cometer esse texto a tempo de fazê-lo acontecer enquanto ainda temos um pé no ano ímpar, mas parece que consegui. E eu concluo dizendo que foram estes os sons que fizeram meu ano especial (música serve pra isso!) e, por isso, sou grato. Eu, que me ocupo de jogar umas quantas palavras ao vento, pretendo agradecê-los como posso. Fica registrado, neste parágrafo, a vontade de trabalhar com todos os mencionados que ainda não trabalhei – e de trabalhar mais ainda com quem já pude dividir um pouco do que ando fazendo! Aos que fazem girar a roda da boa música local eu quero e espero poder agregar. E em 2014, eu só posso desejar tudo de som. As esperanças são as melhores, e despontam no horizonte com o disco de Rinah Souto, previsto ainda para o primeiro semestre. Mas aí já são outros 365 dias e 6 horas... Avante!

Texto de Gustavo Limeira


Pra baixar, clique na capa dos discos.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Grupo Etnia - Canto Cereal [1992]


O Grupo Etnia foi um grupo que, entre 1986 e 1994 reuniu quatro músicos que moravam em João Pessoa: Alice Lumi, etnomusicóloga paulista descendente de japoneses, que toca uma profusão de instrumentos étnicos de sopro, cordas e percussão; Fernando Pintassilgo, graduado em flauta transversal na UFPB e especialista em instrumentos de sopro folclóricos; Paulo Ró, também conhecido pelo seu trabalho solo e com o Jaguaribe Carne; e Milton Dornellas, que há muito tempo desenvolve seu trabalho como intérprete e compositor em João Pessoa.

A idéia do Grupo Etnia era a de compor e interpretar músicas folclóricas e tradicionais de vários lugares do mundo. Há uma profusão de músicas andinas, com charangos e flautas tradicionais, além de samba, ciranda, música japonesa e até experimentações com música eletrônica e atonal. Apesar da disparidade de estilos, uma música céltica irlandesa é seguida de um caboclinho com naturalidade, dando ao disco uma sonoridade impressionantemente coesa. Além disso, o disco é de um grande interesse histórico, pelo simples fato de reunir quatro grandes personalidades da história da música paraibana recente.

Tracklist:

01 - Canto Cereal
02 - Will Ye Go To Flanders - Tae the Begin
03 - Caboclinhos
04 - Ciranda
05 - Huayno para la Luna
06 - Quarup
07 - Meu Canto tem Velas
08 - Kátems
09 - Deixa eu Tocar
10 - Piratas de Jaguaribe
11 - Pau-de-sebo

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boTECOeletro - boTECOeletro [2004]


boTECOeletro é o projeto solo do músico Ricardo Imperatore. Ricardo entrou no mundo da música em 1984, quando fundou junto a Toni Garrido a Banda Bel. Depois disso ainda saiu em turnê com os Titãs e se apresentou com o Monobloco em algumas ocasiões, mas desde 2001 se dedica quase que exclusivamente ao boTECOeletro. Esse projeto faz parte de uma tendência do novo milênio de transformar o trabalho do DJ em um trabalho tão criativo, autoral e respeitado quanto o de qualquer outro músico. Embora a maior parte das músicas do CD sejam construídas com base em samples, existe uma coesão que não seria possível simplesmente colocando um sample depois do outro. É possível escutar de Jackson do Pandeiro a Radamés Gnattali, de funk carioca a banda de pífanos de caruaru. Sem dúvida uma obra prima da música eletrônica brasileira.



Tracklist:

01 - Coco Nutz Mass
02 - Jackson de Aço
03 - Botecoeletro Visita as Baianas Mensageiras de Sta. Luzia
04 - Pife de Pá! Nela
05 - Celtic Charm
06 - É Ruim, Hein!
07 - Bonde da Cuíca
08 - Omelete Banana
09 - Leva eu Sodade
10 - Transbau
11 - Coco Nutz Mass Extended
12 -É Ruim, Hein! (Para DJs)

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terça-feira, 13 de novembro de 2012

Zé Manoel - Zé Manoel [2012]


Num gênero como o samba, que já conta na sua história com personagens tão imponentes quanto Cartola, Vinícius de Moraes ou Paulinho da Viola, parece difícil criar algo novo que tenha alguma relevância. Felizmente, ainda surgem personagens no Brasil que encaram o desafio da continuidade à altura. Mas mais difícil ainda é encontrar um desses saindo do Nordeste que consiga quebrar a hegemonia do samba do Sudeste. O pernambucano Zé Manoel quebra esses dois estigmas de uma vez só.

Vindo de Petrolina, na fronteira com a Bahia, Zé Manoel começou sua vida musical tocando guitarra, mas logo começou a estudar piano clássico e, por influência do gosto musical do pai, começou a tocar samba, e logo começou também a cantar e a compor no piano. As músicas desse disco, na beleza das composições e na qualidade dos arranjos, não deixa a desejar a nenhum dos grandes nomes do samba. Entre as suas composições, também está no CD o Samba Manco, uma música do paulista Kiko Dinucci, outro grande nome do samba feito pela nova geração. Ter essa música regravada por esse pianista pernambucano consagra Kiko Dinucci como autor dos novos standards do gênero, e a pura qualidade musical confere a Zé Manoel a credencial de continuador do samba, seguindo o conselho de Alcione de anos atrás.



Tracklist:

01 - Sol das Lavadeiras
02 - Deixar Partir
03 - Samba Tem
04 - Fantasia de um Alecrim Dourado
05 - Dizem (Quem Não Chora Não Mama)
06 - Acorda Flor
07 - Noites Brejeiras
08 - Cinema Nacional
09 - O Pintor de Retratos
10 - Valsa da Ilusão
11 - Samba Manco
12 - Saraivadas de Felicidade
13 - Acabou-se Assim
14 - Calundú

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segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Amplexos - A Música da Alma [2012]


Desde Debussy, cem anos atrás, que se profetiza que os próximos caminhos a serem trilhados pela música serão ditados pelo timbre. Nesse tempo, maneiras cada vez mais sutis e detalhadas de se mexer com o colorido do som apareceram, e agora dominam também a música popular. A banda Amplexos, de Volta Redonda, no interior carioca, se posiciona nessa linha de frente. Numa época em que provavelmente existe mais gente fazendo afrobeat no Brasil do que na Nigéria e em que qualquer pipoqueiro monta uma banda de reggae, fazer uma banda nessa linha que tenha alguma relevância é um trabalho enorme de refinamento musical. E aí está o trunfo da Amplexos. Nesse segundo disco, dub, afrobeat, soul e funk se juntam em ambiências construídas meticulosamente - nada parece fora do lugar.

Duas pessoas contribuíram com grandes doses de esmero musical para o produto final, de modo a deixar claro que ninguém está brincando. Primeiro, Amplexos teve a tutelagem do veterano do afrobeat Oghene Kologbo, que já tocou com o próprio Fela Kuti e que foi parar em Volta Redonda, onde ensinou aos rapazes da banda como fazer o autêntico afrobeat e como levar a música pras ruas. Segundo, o disco foi produzido pelo mítico Buguinha Dub, o King Tubby brasileiro, o peso pesado do dub, conhecido, entre outras coisas, pelo seu trabalho solo e pelas suas colaborações com Nação Zumbi. Juntando isso tudo com as composições do vocalista, Guga, esse disco se torna uma pequena jóia do dub alternativo brasileiro.



Tracklist:

01 - Falsa Salsa
02 - Boladão
03 - Making Love
04 - Sim
05 - Afrobeat
06 - Filho
07 - O Homem
08 - Mistério
09 - Festa
10 - Leão

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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

The Silvias:20HorasDomingo - Ao Vivo no Casarão 34 [2007]


Recentemente postei aqui o (até agora) único EP de The Silvias:20HorasDomingo, banda de pós-rock do underground pessoense. Para quem não se contentou com as cinco faixas, aí vai um show ao vivo no Casarão 34, com músicas do EP, músicas novas e até uma versão de Careful With That Axe, Eugene, de Pink Floyd. O bootleg aqui também mostra uma formação diferente da do EP, com o percussionista João Cassiano (também da ChicoCorrea & Electronic Band).

Aliás, chamar The Silvias de uma banda de pós-rock talvez seja uma super-simplificação. Dub? Jazz fusion? Música oriental? Só ouvindo, meus caros.



Tracklist:

01 - Ciganos Romenos
02 - Por Trás da Porta Verde
03 - Canção Noir
04 - O Imaginário
05 - Dharma/Vinheta/Careful With that Axe, Eugene
06 - Fábula
07 - Preludium
08 - Roda Gigante
09 - Dub do Boi de Marrakech
10 - O Vácuo
11 - Ciganos Romenos (Versão II)

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quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Metá Metá - MetaL MetaL [2012]


Conheça MetaL MetaL, o novo e surpreendente disco do trio Metá Metá, formado por Kiko Dinucci, Thiago França e Juçara Marçal. A trupe não é nova aqui no blog, e confirmo o que já disse sobre eles antes: fazem parte do grupo mais prolífico e criativo da música de São Paulo atualmente. Junto a outros músicos, como Gui Amabis, Rodrigo Campos, Rômulo Fróes e vários outros, criaram uma discografia afro-global de um nível musical altíssimo, do qual o trio Metá Metá é apenas uma das faces.

O primeiro disco do trio, também chamado Metá Metá, foi lançado no ano passado. É um disco conceitual, coeso, completamente original no seu tratamento de temas tradicionais. Uma africanidade lo-fi. Nesse segundo disco, os temas são os mesmos, mas a pegada é completamente diferente. Se no primeiro disco quase não havia percussão, nesse há participação especial de Sergio Machado na bateria e Samba Sam na percussão em todas as faixas, mais Marcelo Cabral no baixo dando um peso que não existia antes. Daí o nome MetaL MetaL: esse disco mostra o lado mais pesado do trio, com jams agressivas, grooves hipnóticos e até Kiko Dinucci abandonando seu habitual violão em algumas faixas e tocando guitarra. Entre composições novas, releituras de músicas antigas e até uma música de Itamar Assumpção, o MetaL MetaL entra no panteão dos melhores discos de influência africana feitas no mundo nos últimos tempos.


Tracklist:

01 - Exu
02 - Oya
03 - São Jorge
04 - Man Feriman
05 - Rainha das Cabeças
06 - Cobra Rasteira
07 - Logun
08 - Orunmila
09 - Tristeza Não

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terça-feira, 6 de novembro de 2012

The Silvias:20HorasDomingo - Rec In Para um Sonho [2003]


Hoje em dia João Pessoa é uma referência no meio da música alternativa na questão de bandas instrumentais, com grandes nomes de peso como Burro Morto, Ubella Preta ou Parahyba Art Ensemble. Mas a tradição de música instrumental e experimental é bem mais antiga que essa explosão recente. Desde o Úvulas Ardientes de Didier Guigue, passando pelo disco Instrumental de Jaguaribe Carne, até o mais recente The Silvias:20HorasDomingo.


Formado por Rodrigo Silvia, Bruno Sérgio, Thiago Verdee (hoje artista plástico) e o membro da ChicoCorrea & Electronic Band e SeuPereira e Coletivo 401 Thiago Sombra, The Silvias tinha uma forte influência de vários tipos de música instrumental e experimental, do dub jamaicano ao post-rock. Esse disco de 2003 é uma boa amostra da música instrumental paraibana do começo do milênio.




Tracklist:

01 - Limbo
02 - Vinheta (Greensleves)
03 - Preludium
04 - Canção Noir
05 - O Vácuo

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quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Madalena Moog - Philipéia [2012]


Madalena Moog é uma banda que já participa há algum tempo do cenário independente de João Pessoa. O seu mentor, Patativa Moog, não é paraibano de nascença, mas é de vivência. Mora no centro histórico da cidade, e tem o privilégio de ser quase vizinho de um dos principais pontos de encontro de figuras interessantes do lugar: a Cachaçaria Philipéia. Philipéia de Nossa Senhora das Neves é o nome colonial da capital paraibana. A cachaçaria é um ponto focal do centro, um daqueles lugares tão carregados de conversas sóbrias e bêbadas que só de se entrar a pessoa já se sente parte da história da cidade.

Philipéia, o disco novo de Madalena Moog, funciona como ode a João Pessoa e como homenagem à cachaçaria, que por si só também é uma ode a João Pessoa. É um daqueles discos pra ser escutado do começo ao fim, na ordem. O som se distancia cada vez mais do rock dos primeiros discos, e abraça uma coisa mais light, mais samba, mais carnaval. As letras, mesmo quando não falam sobre a cidade, falam sobre a cidade. Um trecho de uma letra diz: "deu no jornal, vai ter aumento de passagem". Pode ser qualquer lugar do Brasil, mas ao mesmo tempo soa extremamente pessoense no contexto.

O disco fecha com um interessantíssimo depoimento de um dos pioneiros do samba, um conselho para qualquer pessoa que faça música brasileira e que queira ter alguma relevância musical em qualquer época.

O lançamento do CD acontece hoje (23/08) no Sebo Cultural, no Centro Histórico.





Tracklist:

01 - Ela Só Pensa Em Namorar
02 - Bifurcação
03 - Felicidade
04 - Philipéia
05 - As Borboletas
06 - Como É Triste!
07 - Beco da Cachaça
08 - Elogio ao Mestre Donga

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sábado, 11 de agosto de 2012

João Cassiano - Nômade Riddim Vol. 05 [2012]


João Cassiano, percussionista da ChicoCorrea & Electronic Band e da companhia de dança Lunay, lança o quinto volume de sua coleção de beats e riddims eletrônicos. A coleção Nômade Riddim é fruto de uma dedicada pesquisa sobre as culturas de música eletrônica e música folclórica do mundo inteiro, principalmente dos países de terceiro mundo, que têm uma estética singular. Você encontra os outros volumes da série aqui e aqui.

 


Tracklist

01 - Warp Zone
02 - Caipirinha Freestyle
03 - Nes Pad
04 - Calango Riddim
05 - Cumbia da Espera
06 - ARAB
07 - Maresia Riddim
08 - La Craw 68

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Milton Dornellas - Bom Mesmo é a Gargalhada no Final [2012]


Milton Dornellas, uma das figuras centrais da música paraibana atual, lança seu disco mais novo, Bom Mesmo é a Gargalhada no Final - título tirado de uma frase que seu amigo Pedro Osmar costuma falar. O álbum é incomum na discografia de Milton por ter relativamente muito poucas músicas com letra, fato que ressalta uma de suas principais habilidades: compor melodias. Melodias simples, com aquele frescor típico da música popular, que se repete sem nunca se tornar cansativo, arranjados em uma textura leve. Muito do êxito do álbum se deve também aos instrumentistas: além do próprio Milton cantando e tocando violões e bandolins, participam do grupo desse disco na sanfona Helinho Medeiros (que entre outras coisas toca com Paulo Ró, no Remandiola Trio e ocasionalmente com o grupo de música barroca Camena), no baixo Chico Limeira (que toca cavaquinho com o grupo de samba Trem das Onze e baixo com o Sonora Samba Groove), na guitarra Marcelo Macedo (dono do estúdio Peixe Boi, onde foi gravado o disco, e também guitarrista do Néctar do Groove) e na percussão Paulinho Tazz (também do Trem das Onze).



Tracklist


01 - Encanto
02 - Abismo
03 - Jaborandi
04 - Frei Tito
05 - Praça Rio Branco
06 - Capeta Jr.
07 - Vôo do Passarinho
08 - Bom Mesmo é a Gargalhada no Final

Clique na capa do álbum pra baixar.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Areia e Grupo de Música Aberta - Para Perdedores [2012]


Quando se fala de música improvisada hoje em dia, na maior parte das vezes se pensa apenas em jazz. Mas na verdade o improviso é o ponto central de inúmeras culturas musicais no mundo inteiro e em todas as épocas, da música da grécia antiga à cantoria dos violeiros nordestinos. O baixista Areia (que também toca numa das principais bandas do manguebit recifense, Mundo Livre S/A) decide em seu trabalho mais recente abandonar as convenções da improvisação jazzística clássica e adotar maneiras de improviso derivadas da música nordestina e da música do oriente médio - todos os músicos brincam livremente com o material musical do tema principal, que é sempre reexposto, ainda que completamente transformado. Essa maneira de proceder resultou em um trabalho que é jazz e não é; é música nordestina e não é - poderia ser o disco perdido de John Coltrane em retiro espiritual no sertão.




Tracklist:


01 - Do Início ao Fim de Tudo
02 - Maracatu de Baque Etéreo
03 - Ciranda de Trêsz
04 - A Jóia do Universo

Clique na capa do álbum pra baixar, e clique aqui para baixar o documentário de 15 minutos com entrevistas com os músicos sobre o projeto.

domingo, 1 de julho de 2012

Nightime - Cinema [2012]



A arte mais verdadeira é aquela que nasce de uma vontade descontrolada e esmagadora de criar - a sensação de que aquela forma de arte é a única maneira de se expressar, uma espécie de inquietação. Inquietação é uma coisa que não falta no rock de nenhum lugar do mundo. Mas pra que essa inquietação tome uma forma concreta (ou auditiva), é preciso um trabalho duro de lapidação desses instintos em prol de uma estética (em alguns casos, a estética é a ausência deliberada dessa lapidação, mas isso já é outra história). O triste é que em muitos casos esses espíritos criadores e inquietos não se dão tanto trabalho, e o resultado acaba ficando comum - e em outros casos tem tanto trabalho que a inquietação desaparece e o tédio domina: o resultado é o mesmo do caso anterior.


Nightime está num equilíbrio saudável entre os dois extremos. É uma banda recém-nascida mas com integrantes cheios de experiências de projetos anteriores, e que se propõe a zelar pela qualidade. A inquietação de criar é evidente: com poucos meses de existência, já sai do forno um single. E o trabalho está evidente no single: aquele esquema de primeira gravação feita nas pressas pra mostrar logo o trabalho da banda dá lugar a um esmero pelos arranjos e pela qualidade da gravação. É com esse cartão de visita que a banda surge ao público: a organização da inquietude, aquele artesanato que faz falta na música. 


Tracklist:


01 - Cinema


Clique na capa do álbum pra baixar.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Orquestra Boca Seca - Nega Balance [2012]


A Orquestra Boca Seca nasceu em Natal lá pelo meio da década de 2000. Nasceu de três amigos que se encontravam regularmente pra tomar uma cerveja e curar a secura da boca no bar do Otto, na capital potiguar. Os três amigos gostavam de várias coisas diferentes, mas uma era comum a todos: o samba rock. A partir daí nasceu o Trio Boca Seca, que com a adição de mais um membro virou a Orquestra Boca Seca. Começaram a ensaiar assim, meio informalmente, tocando Tim Maia, Jorge Ben, Nação Zumbi e tudo que tivesse groove. Aos poucos a coisa foi ficando organizada, a orquestra começou a tocar na noite natalense, gravaram um EP (aptamente chamado de Samba Rock), e finalmente, depois de quase cinco anos de banda, sai seu primeiro CD completo.


Nega Balance estava sendo orquestrado há anos, mas só agora viu a luz. Com dez músicas autorais, a Orquestra Boca Seca vem com um samba rock de alto nível, para ser colocado no panteão nacional junto a Eddie ou o Fino Coletivo; e num contexto local, junto a trabalhos recentes como o de Maguinho da Silva (que inclusive faz participações especiais no disco da Boca Seca), a Orquestra compõe uma paisagem sonora de groove que é bem viva em Natal. Uma boa epígrafre para o disco seria a paráfrase que a própria banda faz de Dorival Caymmi: "quem não gosta de samba rock, bom sujeito não é".





Tracklist:


01 - Nêga Amor
02 - Te Dizer
03 - Muda o Tempo
04 - Olhos Cegos
05 - Trilha Sob o Sol
06 - Deus e o Diabo na Cidade do Sol
07 - Animal
08 - Dando um Tempo
09 - Samba Rock do Superficial
10 - La Podrita de Buena
11 - Nêga Amor (ao vivo)


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quinta-feira, 17 de maio de 2012

Bonga Kwenda, Jó Maká & Tião Perazzo - Racines / De L'Angola au Brésil [1978]





Bonga Kwenda foi recentemente o tema de uma postagem por aqui. Agora trago um disco que deixa esse mestre angolano mais perto da gente. Nesse post eu falei sobre como as raízes do semba angolano e do samba angolano se misturavam. Esse disco explora com uma sensibilidade impressionante o que existe de diferente e de similar entre a música angolana e a brasileira. Para essa jornada, o angolano Bonga Kwenda se junta ao saxofonista guineense Jó Maká e ao violonista brasileiro "Tião" Rocha Perazzo


O disco é uma jornada apaixonada pela música de raiz africana dos dois lados do oceano atlântico. Do lado a sembas magistrais, encontramos jams capoeirísticas e até o clássico do forró "Pisa na Fulô". O disco não tem pretensões etnomusicológicas muito elaboradas, mas está recheado do sentimento pan-africano que varreu a música de raiz africana entre os anos 70 e 80 (aquele sentimento expresso em Africa Unite de Bob Marley), e adicionou o Brasil à luta - quando de maneira geral nosso país esteve ligado a esse movimento de maneira apenas marginal.


Tracklist:


01 - Ilia
02 - Ramedi Djá Tem
03 - Mochorinho Codé
04 - No Speed Limit
05 - Pisa na Fulô
06 - Homenagem ao Fogo Negro
07 - Dois Poemas Irmãos
08 - Rebita
09 - Capoeira
10 - Kiosque


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sexta-feira, 4 de maio de 2012

Carlos Aranha - Sociedade dos Poetas Putos [1991]



O vinil da Sociedade dos Poetas Putos, gravado em Recife e lançado na Paraíba foi um desses marcos que passam meio despercebidos. Foi um marco por diversos motivos. O que hoje é o menos óbvio deles é o próprio título: no início da década de 90, a simples presença da palavra putos no título foi o suficiente para que o poeta puto em questão, Carlos Aranha, fosse censurado nos jornais, e não se queria que um nome desses aparecesse na imaculada imprensa paraibana (20 anos depois a gente escuta isso aqui no último volume no meio da rua em todo canto... sinal dos tempos).

Mas o vinil também é um marco por motivos menos prosaicos. A gravação foi feita com a ajuda do maestro carioca Osman Gioia, que à epoca era regente da Orquestra Sinfônica Jovem da Paraíba e que mais tarde ficaria conhecido como diretor artístico e regente titular da Orquestra Sinfônica de Pernambuco. Nesse disco, ele se encarregou dos teclados e da programação eletrônica: foi uma das primeiras músicas do Nordeste a usar esse tipo de recurso - que hoje pode soar meio oitentista, mas na época soava moderno. Outro dos pontos altos do disco é a participação de José de Arimatéia (o Teinha) - um dos maiores saxofonistas da Paraíba. Este disco é, enfim, um artefato perdido da história da música da paraíba, agora pela primeira vez em formato digital.

Tracklist:

01 - Sociedade dos Poetas Putos

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quinta-feira, 29 de março de 2012

Chico Correa & Thomas Barrière - Canape Duo Concert


Estamos falando aqui de um duo de guitarras - mas se não fosse a capa do álbum e o vídeo lá embaixo pra comprovar, seria difícil convencer vocês de que nessas cinco faixas tem só duas guitarras tocando ao vivo.

Thomas Barrière e ChicoCorrea formam o Canape Duo. Thomas é francês e vive em Le Thor, no sul do país, e ChicoCorrea é paraibano. Os dois são guitarristas, mas acima de tudo experimentadores, com um currículo considerável no campo da improvisação livre. Com suas guitarras e um exército de aparelhos eletrônicos, os dois constroem atmosferas com texturas que vão se modificando lentamente e imperceptivelmente, numa polifonia de timbres, ruídos e fragmentos melódicos que flutuam à deriva na massa sonora. Técnicas expandidas do instrumento e os vários equipamentos à disposição do duo permitem o aparecimento de elementos impensáveis - aqui uma percussão meio africana, ali um som de sopros orientais, e vez por outra uma passagem mais ruidosa quase digna de John Zorn. Improvisando ao vivo durante quase uma hora, o Canape Duo consegue manter a música viva e respirando ininterruptamente, criando uma espécie de mantra eletrônico do século XXI.


Tracklist:

01 - ChicoCorrea&ThomasBarrière 1
02 - ChicoCorrea&ThomasBarrière 2
03 - ChicoCorrea&ThomasBarrière 3
04 - ChicoCorrea&ThomasBarrière 4
05 - ChicoCorrea&ThomasBarrière 5

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terça-feira, 20 de março de 2012

Chinese Cookie Poets - Worm Love [2012]


O Chinese Cookie Poets é um trio carioca de música inclassificável. Música experimental, free jazz, improvisação livre, math rock, escolha o que quiser, nenhum vai direto ao ponto. Worm Love é o terceiro lançamento do trio (que já havia lançado dois EPs, e agora lança seu primeiro CD), e ele é um processo com três fases bem distintas - e o disco em si, esse que você está baixando, é só a segunda delas.

A primeira fase foi a gravação. Um único take de 40 minutos de improvisação livre ininterrupta. Essa fase é a fase platônica, onde se criam os materiais não-corpóreos e ideais que existem apenas em um lugar imaterial no passado. A segunda fase é a fase em que o rótulo improvisação livre deixa de ser preciso - é a fase composicional, que se materializa no disco em si. É a fase em que o material bruto foi editado, processado, desmembrado, reconfigurado e - através de uma descarga elétrica como a que deu vida ao monstro do doutor Victor Frankenstein - trazido ao mundo terreno. As versões que aparecem no disco, bem diferentes do material original, são consideradas pelo trio como as versões definitivas das músicas. A terceira fase é a fase prática. A fase em que a criatura sai de sua torre e entra em contato com o mundo real - as apresentações ao vivo. O trio pega as versões definitivas e faz o possível para tirar as músicas em uma versão que possa ser apresentada ao vivo. Mas como as faixas foram completamente manipuladas em computador, esse processo não é perfeito - e é isso que o torna interessante. O disco não é igual ao que foi gravado, o show não é igual ao que está no disco, e um show não é igual a outro. O material que havia sido cristalizado no disco toma vida novamente e o ciclo se completa. O monstro do doutor Frankenstein, assim como o homem de lata do país de Oz, também recebe seu coração.


Tracklist:

01 - Plastic Love
02 - Free the Monkey
03 - En la Mano del Payaso
04 - European School of Homegrown Worms
05 - Chinatown Blues
06 - Hakkeyoi
07 - Discipline and Manners
08 - Three Worms - Jukai
09 - Three Worms - Koan
10 - Three Worms - Ziran
11 - Worm Love

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