sábado, 17 de março de 2012

Cantos Religiosos Afro-Brasileiros [2000]


Não consegui encontrar nenhuma informação sobre esse álbum além da capa e do ano em que foi publicado, mas é um registro fantástico de vários pontos de umbanda, as canções de louvor dos cultos afro-brasileiros.

Tracklist:

01 - Solos de atabaque
02 - Chamada de Ogum, Pisa na Linha de Umbanda, Pisa no Reino ó Cangira
03 - Ogum Oiá, Ogum Guerreiro, Coroa de Ouro
04 - Popologundê, Ogum Dake, Ogum Megê
05 - Ogum vai ao Ló, Seu Cavalo Selei, É Madrugada, Imagem de Ogum
06 - Saudação à Falange de Oxóssi
07 - Caboclo Guiné
08 - Ô Gauinza
09 - Oxóssi da Pena Branca
10 - Caboclo Ubirajara
11 - Boiadeiro
12 - Caboclo Caçador das Matas
13 - Louvação aos Exus
14 - Exu Marabô
15 - Chamada de Pomba-Gira
16 - Louvação a Pomba-Gira
17 - Pomba-Gira Mulambo
18 - Ponto de Subida Geral

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quarta-feira, 14 de março de 2012

Canzoniere del Lazio - Quando Nascesti Tune [1973]


O Canzoniere del Lazio surgiu em Roma em 1972, uma época agitada na Itália. Politicamente, o país vivia numa atmosfera de contestação - movimentos sindicais, anarquistas e estudantis tomaram conta do país, e havia uma grande tomada de consciência política. Musicalmente - em paralelo à rica safra de rock progressivo que se desenvolvia - o revival da música folclórica, que começou por volta dos anos 50, estava em alta. Começava um debate entre pesquisadores e músicos: uns eram puristas, achavam que a música popular camponesa deveria ser reproduzida tal qual ela era, com os instrumentos originais, acústicos. Outros achavam que para que essa música tivesse a mesma função que tinha originalmente, deveria ser atualizada para os tempos modernos. O Canzoniere del Lazio fez os dois.

O grupo, originalmente um quarteto que contava apenas com instrumentos acústicos, começou uma pesquisa do cancioneiro popular da região do Lácio. Em 1973 lançaram seu primeiro disco, Quando Nascesti Tune: cantos camponeses, urbanos, de amor, políticos e inclusive cantos anarquistas e comunistas. O álbum teve pouco sucesso, e a partir do ano seguinte abraçaram a eletricidade e se tornaram um dos principais nomes do folk progressivo italiano.


Tracklist:

01 - Tutti Ci Hanno Qualche Cosa
02 - So' Stato a Lavora'
03 - Se Tu Ti Fai Monaca
04 - Morte di Gesú
05 - Cu Trenta Carrini
06 - Bevi Bevi Compagno
07 - O Roma Roma
08 - Sabato Vado a Marino
09 - Oggiggiorno a Piglia Moglie
10 - So Stato Alla Montagna Alla Sibilla
11 - Quando Nascesti Tune
12 - Lavoro Tra Le Pecuri e Li Cani
13 - A Pennese
14 - Su Comunisti della Capitale
15 - Uno, Evviva Giordano Bruno

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Limiares [2012]



O Limiares é um projeto da Ibrasotope que consistiu na produção e gravação de três discos. A Ibrasotope é uma fundação criada no final de 2007 com o objetivo de incentivar a música de concerto experimental. Nesse projeto, três grupos de intérpretes e compositores ligados à música eletro-acústica tiveram a oportunidade de gravar seus trabalhos. Embora permaneça largamente ignorada pelo público geral, a música eletroacústica no Brasil tem uma história extensa, que começa em 1951 com os trabalhos de Reginaldo Carvalho. Com as novas possibilidades tecnológicas do século XXI, o gênero tem se transformado e expandido, e há uma safra de jovens compositores tentando explorar tudo o que for possível. Os três discos que formam o projeto são:

Duo Henrique Iwao-Mário del Nunzio - Trios & Quartetos

O Duo Henrique Iwao-Mário del Nunzio, diretores do Ibrasotope, existe oficialmente desde 2003, e se dedica à experimentação de novas possibilidades para a performance de eletrônica ao vivo. Embora também toquem peças compostas para a formação do duo (que inclui um sintetizador, uma tábua amplificada e vários aparelhos eletrônicos), grande parte de sua produção também é focada na livre improvisação.

O desafio para o disco Trios & Quartetos foi deslocar a prática da livre improvisação eletroacústica do palco - seu hábitat natural, onde todas as decisões são feitas na hora e a experiência presencial é tão importante quanto o próprio conteudo musical - para um álbum gravado, onde o resultado sonoro deve ser interessante mesmo após várias audições. Com a ajuda de convidados (um ou dois diferentes para cada faixa), o duo se desdobra em trios e quartetos e cria paisagens sonoras improvisadas distintas umas das outras, ditadas pela personalidade de cada músico. No final, os melhores takes foram selecionados, sem edição, para compor as faixas do álbum.


Tracklist:

01 - Quarteto 1, no. 2 (com Antonio Panda Gianfratti e Lucas Araújo)
02 - Trio 2, no. 7 (com César Villavicencio)
03 - Quarteto 2, no. 7 (com Matheus Leston e Pan&Tone)
04 - Trio 1, nos. 6 e 7 (com Matthias Koole)

Valério Fiel da Costa - Jogos Noturnos

Valério Fiel da Costa é paraense, estudou na Unicamp e ensina na Universidade Federal da Paraíba. Em Belém, foi membro do grupo de performance eletroacústica Artesanato Furioso; em São Paulo juntou-se como diretor musical ao grupo Teatro da Passagem e integrou o grupo de improvisação livre Ensemble Limite; em João Pessoa passou a fazer parte como professor e compositor do COMPOMUS.

Um especialista em técnicas de piano preparado e um estudioso de John Cage, Valério em suas composições coloca a partitura em um nível hierárquico inferior ao ouvido, à performance ou ao intérprete - em suma, a notação no papel deve servir como guia geral para que se atinja um resultado sonoro ideal, e não pode estar imune a modificar-se em função deste. Por isso as composições, feitas entre 2003 e 2009, recebem nesse disco versões singulares únicas do momento em que foram gravadas, em 2011.


Tracklist:

01 - Pranayama
02 - Sereias
03 - Kensho
04 - Marilia Range
05 - Silêncios, Peixes e Assombrações Sub-Aquáticas
06 - Matinais

Duo N-1 - Enemenosvideo

O Duo N-1 (lê-se "ene menos um"), formado por Alexandre Fenerich e Giuliano Obici, é um grupo que experimenta em todas as áreas que toca. A começar pelos instrumentos - segundo os próprios integrantes, o duo surgiu da "gambioluteria", a construção de dispositivos sonoros através da gambiarra. Não por acaso seu primeiro disco, lançado em 2009, chama-se Jardim das Gambiarras Chinesas.

Outro elemento chave do duo é a interação audiovisual. Suas performances, além dos objetos que produzem som, também incluem microcâmeras e retroprojetores. A gravação do álbum deixa de lado esse elemento, e acaba enfatizando as qualidades evocativas e mnemônicas do som. A obra em nove movimentos Rua de Lágrimas foi composta para servir de trilha sonora para o filme alemão de 1925, Die freudlose Gasse.

Tracklist:

01 - Surfing in Turntables
02 - Marulho Oceânico
03 - Rua de Lágrimas - Abertura
04 - Rua de Lágrimas - O Casal
05 - Rua de Lágrimas - O Escritório
06 - Rua de Lágrimas - Solilóquio e O Inferno
07 - Rua de Lágrimas - O Escriba
08 - Rua de Lágrimas - A Cidade
09 - Rua de Lágrimas - Ecos do Caos
10 - Rua de Lágrimas - Solilóquio Final



Clique na capa de cada disco para baixar.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Sambanzo - Etiópia


O primeiro filme alemão a juntar imagem e som foi um documentário experimental feito em 1929, chamado Melodia do Mundo. O filme de quase cinqüenta minutos não segue um roteiro linear, não tem narração, e consiste em uma colagem de cenas gravadas no mundo inteiro representando momentos do cotidiano: senhoras européias ajeitando seus cabelos em salões de beleza dão lugar a mulheres chinesas fazendo penteados tradicionais intrincados e marinheiros escalando mastros de navios transatlânticos dão lugar a rapazes de comunidades praieiras escalando coqueiros. A mensagem por trás dessas cenas sobrepostas é clara: as pessoas do mundo inteiro podem parecer diferentes no exterior, mas alguma coisa na essência une todos os povos.

Sambanzo: Etiópia, é a Melodia do Mundo. O projeto foi idealizado pelo saxofonista Thiago França, e executado por mais quatro músicos que estão entre os mais prolíficos de São Paulo nos últimos anos: o violonista, guitarrista, cantor e compositor Kiko Dinucci, o baixista e produtor Marcelo Cabral, o percussionista Samba Sam e o baterista Wellington Moreira "Pimpa". Esses músicos estão intimamente ligados à linha de frente da música paulista atual, acompanhando e produzindo, em diversos momentos, artistas como Criolo, Romulo Fróes, Céu, Lurdez da Luz, Instituto, Gui Amabis e tantos outros, além de desenvolverem seus próprios projetos. A maior parte desses projetos se dedica à exploração das possibilidades da música popular brasileira de raiz, muitas vezes chegando até a África colonial nessa expedição. O Sambanzo não é muito diferente, mas aborda o tema de maneira diferente. Pra começar, o disco é instrumental - quem canta é o sax de Thiago França. E agora a África não é apenas a África colonial distante, dos cantos de escravos: é a África contemporânea, modernizada, contestadora, a África de Fela Kuti e seu exército de saxofonistas, a África "que a gente idealizou como a meca do suingue", nas palavras de Thiago.

E como se fossem cenas de um filme, um tema africano dá lugar sutilmente a uma melodia oriental, um ponto de umbanda dá lugar a um groove caribenho, uma levada de reggae se transforma numa guitarrada. Antes dos créditos finais, a mensagem do disco fica clara: a Etiópia pode parecer um lugar muito diferente de São Paulo, mas alguma coisa, na essência, como se fosse uma melodia do mundo, une todos os povos.

***

O disco foi disponibilizado para download pelo próprio Thiago França no blog http://sambanzo.blogspot.com/ , e se encoraja que todos façam o mesmo. O único favor que se pediu é que quem quiser disseminar o disco pela internet use o mesmo link que ele criou, para garantir a qualidade de 320kbps dos arquivos mp3 e para que ele saiba quantas pessoas baixaram o disco. O link você encontra aqui ou clicando na capa do álbum no começo do post.


Tracklist:


01 - O Sino da Igrejinha
02 - Xangô
03 - Tilanguero
04 - Capadócia
05 - Xangô da Capadócia
06 - Etiópia
07 - Risca-Faca

Clique na capa do álbum pra baixar.

sábado, 3 de março de 2012

Aníbal Sampayo & Demetrio Ortiz - Arpa Paraguaya [1967]


Durante o período colonial da América do Sul, as tradições européias que chegava ao novo continente se misturavam com as tradições que já existiam, se transformavam, se reconfiguravam e se remoldavam. Muitos elementos da cultura ocidental de hoje em dia vêem dessa miscigenação - que acontecia dos dois lados. Um exemplo é o gênero barroco da passacaglia, que remete quase que imediatamente à Europa dos séculos XVII e XVIII - até Bach escreveu uma. Entretanto, muito provavelmente a passacaglia nasceu como um tipo de música popular mexicana por volta do século XVI.

Outra conseqüência desse intercâmbio foi a introdução da harpa barroca na América Latina. Isso levou à criação de algumas tradições do uso da harpa como instrumento popular em lugares esparsos do continente: nos Andes, no México, na Colômbia, na Venezuela e no Paraguai. Destes lugares, talvez o lugar com a tradição de harpa mais forte seja o Paraguai, onde ela é considerada o instrumento nacional - e atingiu uma moderada fama internacional com o grupo Los Paraguayos, que desde os anos 50 têm sido os principais porta-voz da música paraguaia.

Um dos principais nomes da música popular paraguaia é o compositor, cantor e violonista Demetrio Ortiz, autor de Mis Noches Sin Ti, seu maior sucesso, e Recuerdos de Ypacaraí, gravada inclusive por Caetano Veloso. Nesse disco de 1967, ele se junta a Aníbal Sampayo, um dos principais harpistas do Uruguai para prestar uma homenagem a essa tradição tão antiga, num disco que passeia entre melodias em espanhol e guarani, as línguas oficiais do Paraguai, e sonoridades que às vezes parecem exóticas e às vezes soam surpreendentemente familiares.


Tracklist:

01 - Mis Noches Sin Tí
02 - Amor Imposible
03 - Boquita de Miel
04 - Mburucuya
05 - Quisiera Decirte
06 - Teresita Mía
07 - Quiero Besar Tus Manos
08 - Yo No Sé Porqué
09 - Junto a Mí
10 - Tu Cabeza en Mi Hombro
11 - Al Verte de Nuevo
12 - Te Sigo Esperando
13 - Cuando Estoy Contigo
14 - Mi Asunción Porã

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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Os Skrotes - Os Skrotes EP [2011]


O mercado da música instrumental está crescendo bastante nos circuitos alternativos brasileiros - as pessoas comem jazz no café da manhã todo dia e provavelmente temos mais bandas de afrobeat do que a Nigéria. Os Skrotes, surgidos em 2009 em Florianópolis, não é só mais uma dessa leva. Na verdade não é nem que ela não é "só mais uma", é que ela não é uma desas. A abordagem à música instrumental desse trio catarinense é por outro lado.

Quando a maior parte das bandas instrumentais que aparecem por aí voam habilmente entre John Coltrane e Mulatu Astatke, a tessitura dos Skrotes abrange de Tchaikovsky a Lady Gaga. Um ideal hermetopascoalino de música livre, que quebra a noção de que música instrumental tem que ser séria ou intelectualizada - e tudo sem deixar cair a qualidade musical.

O pequeno vídeo a seguir é uma boa introdução ao som da banda, que recém lançou seu primeiro EP. Aproveitem.


Tracklist:

01 - Arco da Véia
02 - Estupro dos Cisnes
03 - Yo Creo en Los Milagros
04 - Lei de Gagá

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